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Suicídio e o efeito de Werther. Sabe o que é? | A recente morte do vocalista dos Linkin Park

Suicídio e o efeito de Werther. Sabe o que é? | A recente morte do vocalista dos Linkin Park
12:12:23 03-08-2017 Comissão Gestora da Plataforma Saudementalpt Literacia em Saúde Mental e Neurológica

Descrição

Replicaram-se as notícias sobre o suicídio de Chester Bennington, um dos vocalistas da banda Linkin Park e a palavra SUICÍDIO volta a surgir exponenciada na comunicação social, associada a uma figura pública, a alguém com uma referência a nível mundial, ao ídolo de alguém. Será que isto não tem repercussões nas pessoas? Principalmente nos jovens e nas pessoas que passam por um problema do foro psicológico e emocional?

Álvaro de Carvalho, o coordenador do Plano Nacional de Prevenção de Suicídio (2013 – 2017), e também diretor do Programa Nacional para a Saúde Mental da Direção-Geral da Saúde (DGS), refere que sim, que o «…problema é que não contribui só para a estigmatização, contribui para o risco de imitação, ou seja, do efeito Werther (4). Já numa entrevista prévia (5) Francisco Paulino, presidente da linha de ajuda na área da prevenção do suicídio SOS Voz Amigaentidade parceira da Plataforma Saudementalpt – quando questionado sobre o risco do destaque dado pelos media a suicídios de pessoas famosas este referiu que “Existe um risco acrescido do chamado suicídio por imitação ou efeito Werther, quando se dá destaque nos media ao suicídio de alguém famoso”.

Ora, o que é então o efeito Werther?

Este termo é usado como sinónimo do efeito de imitação induzidos pela comunicação social no comportamento suicida. A comunidade científica pesquisou o efeito de Wether e alguns trabalhos sustentam a hipótese de que a falta de qualidade existente na forma como a comunicação social divulga o suicido pode desencadear o aumento de suicídios a curto prazo em certos subgrupos de população (1). Parece, assim, concluir-se, que os efeitos de imitação induzidos pela comunicação social têm impacto no comportamento suicida. Em Viena, na década de 80, houve uma onda de suicídios ocorridos no metro. e a comunicação social a partir de determinada data deixou de noticiar os mesmos. Isso coincidiu com uma queda progressiva no número de suicídios no metro, o que ilustrou, na altura, o poder de influência que a comunicação social tem no comportamento suicidário das pessoas. Outras pesquisas demonstraram que a cobertura excessiva dos suicídios das figuras públicas realmente leva a um aumento nas tentativas e ideias de suicídio. As mulheres, de 30 anos, estiveram numa situação aumentada de risco de suicídio após a morte de Marilyn Monroe em 1962. Os especialistas em suicídio King-wa Fu e Paul Yip examinaram os impactos do suicídio em 3 celebridades asiáticas através de uma análise de séries de tempo. Comparam as mortes nas semanas anteriores e depois do suicídio, e encontraram um aumento substancial no número de suicídios na primeira, segunda e terceira semanas após a morte de cada celebridade em Hong Kong, Coreia do Sul e Taiwan, comparativamente a um período de referência. O comportamento suicidário ocorreu, sobretudo, em pessoas do mesmo género das figuras públicas que cometeram suicídio.

Reportando-nos novamente à entrevista realizado ao Dr.º Álvaro de Carvalho ao Notícias ao Minuto (datada de 31/07/2017) sobre a Saúde Mental em Portugal é referido que «Os maiores números de suicídio em Portugal situam-se faixa etária acima dos 65 anos, com maior taxa de suicídios por mil habitantes no centro do país e no Alentejo, zonas muito isoladas» e face a isto o coordenador do Plano Nacional de Prevenção de Suicídio responde que “há alguns centros de saúde, pelo menos no Alentejo, que têm equipas, não só no âmbito da Saúde Mental mas no âmbito da atividade dos cuidados primários em geral, que visitam regularmente as pessoas que vivem sozinhas”.

Quanto ao jogo Baleia Azul e à sua influência para o suicídio dos adolescente, Álvaro de Carvalho aconselha pais e educadores a “procurar ter uma vida o mais interativa possível, respeitando a autonomia tanto das crianças como os adolescentes, estando atentos ao modo como eles estão e evitando que fiquem dependentes das redes sociais.”.

Quando é pedido ao coordenador do Plano Nacional de Prevenção de Suicídio que faça um balanço do Plano Nacional de Prevenção de Suicídio (2013 – 2017) ele aponta os seguintes aspetos conquistados:

- programa da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, o + Contigo, de prevenção de suicídio em meio escolar, que tem sido difundido por várias áreas do país, incluindo as regiões autónomas. - a comunicação social ter começado a interessar-se por este tema - um protocolo com o Ministério da Administração Interna a propósito das forças de segurança que são grupos sociais particularmente vulneráveis pelo contacto com as armas de fogo.

Quanto ao que mais a fazer o Dr.º Álvaro indica a necessidade de dar continuidade ao Plano Nacional de Suicídio e de se encontrarem estratégias que permitam uma sensibilização da opinião pública e dos profissionais de saúde para estas temáticas. Além disso, é destacada a necessária articulação entre as equipas comunitárias de Saúde Mental e os cuidados de saúde primários.

Para saber sobre esta entrevista realizado ao coordenador do Plano Nacional de Prevenção de Suicídio, e também diretor do Programa Nacional para a Saúde DGS consulte a notícia na íntegra.

Reflita sobre a apresentação que deixamos, sobre o tema.

Deixamos o Número verde de atendimento gratuito na linha SOS Voz Amiga: 800 209 899

 

A COMISSÃO GESTORA DA PLATAFORMA SAUDEMENTALPT

 

FONTES

(1)The "Werther-effect": legend or reality?

(2)What science shows about the dangers of suicide depictions

Reportagem ao Notícias ao Minuto, de Anabela de Sousa Dantas, de 31/07/2017

Reportagem ao Notícias ao Minuto, de 21/07/2017

Foto Álvaro de Carvalho - © GlobalImagens


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